Antonio Sidekum
  

 

"AOS ILUSTRÍSSIMOS PROFESORES"

Saudação e reconhecimento

Cabe-me com muita alegria, nesta hora, de ter esta imensa honra em poder dirigir minha singela palavra de homenagem com as mais profundas saudações e reconhecimentos dos meus colegas do Brasil, a Vós, Professores Arturo Ardao e Arturo Roig.

É uma alegria incomensurável estar nesta sala diante de dois verdadeiros baluartes de cultura e sustentadores morais de nossa consciência crítica da história da América Latina.

Temos a certeza ímpar de que a América Latina afirmou-se com respeito e dignidade, diante das demais Nações através da obra brotada que tem brotado vossa capacidade intelectual, da práxis carinhosa e de vossa generosidade acadêmica para refletir sobre nossa realidade histórica latino americana.

As idéias fundamentais podemos encontrar em teoria, em ambos, enquanto pensadores da filosofia da história latino americana no seu mais amplo sentido. Assim, poderemos sempre falar do pensamento filosófico de Arturo Ardao e de Arturo Roig. 

Gostaria de sublinhar os aspectos fundamentais de vossas obras: os aportes de cada autor para um conceito da racionalidade, do conceito de consciência de uma moral emergente, da ampliação metodológica do filosofa em todas as suas dimensoes, sejam jurídicas como econômicas, da economia das nossas relações sociais do cotidiano, o resgate da verdadeira e autêntica dimensão jurídica do ser humana, bem como da compreensão dos signos lingüísticos de nossa realidade histórica, da autêntica dimensão ética histórico-social do discurso, a conflictividade enraizada na sociedade, a dependência cultural e econômica e a necessidade de libertação em todos os sentidos que a filosofia nos possa conceder, a simbólica latino-americana da dimensão de transcendência da cultura e da vida dos indivíduos e dos povos, a realização do ser humano em sua história concreta, o tema do sujeito como ser que se conscientiza de sua história, da centralidade e da descentralidade da idéia e do nome de América Latina e a reconciliação de teoria de práxis.

Ao estudarmos a imensa obra dos dois pensadores homenageados, neste dia, deparamo-nos com uma novidade fundamental que é o estudo do a priori antropológico, isto justamente pela compreensão da dignidade humana. Encontramos uma racionalidade com uma força inovadora que parte do princípio, não da imposição de uma logos para sempre. Mas uma racionalidade que é, antes de tudo, uma resposta crítica à realidade dada no contexto histórico do ser humano latino-americano.

Os dois autores introduzem no pensamento latino-americano uma enorme ampliação metodológica que não é apenas útil, mas também necessária para o pensamento criativo do latino-americano. O pensamento, aqui, se fundamentava nos estreitos marcos da filosofia acadêmica tradicional, repleta de ideologia inconfessa, repleta de medo da política e repleta da política incorporada e estabelecida pela violência institucionalizada previamente, cheia de medos para a inserção no próprio contexto histórico e a filosofia, além disso, se mostrava cheia de medo da história das idéias.

Encontramos dessa forma no pensamento dos dois ilustríssimos homenageados na ampliação metodológica que possibilitou o desenvolvimento da filosofia e liberta, assim, a filosofia de e suas falsas verdades performativas da lingüísticas e das verificações de uma lógica dominadora e das falsas fundamentações da ética.

Novas áreas ou territórios são incorporados ao campo da filosofia, sem no entanto, deixar de ser crítico. À luz da história das idéias, na estrita historia tradicional e da filosofia da história, recebem valor todas as vivências do bem humano e das vivências históricas de um povo como o nosso, da vida cotidiana, sem esse reconhecimento, a filosofia se converteria em um encobrimento da realidade histórica do ser humano em todos os sentidos históricos. A partir dos postulados da ampliação metodológica, siria-nos necessário tratar dialeticamente a história das idéias, e jamais ter que tratá-las como história acadêmica, meramente, mas abrir-se aos processos dos povos por recuperar a sua identidade histórica crítica. Assim, a história das idéias entendida a partir dos nossos pensadores latino americanos será como a história da verdadeira consciência social teleológica de nossos povos.

Este é o grande papel que os pensadores homenageados nos outorgam para realizar a práxis histórica como uma práxis transformadora da sociedade. Isto é valorizado pela busca da real situação histórica do sujeito como autor e protagonista de sua história na maior amplitude de seu existir. A categoria da historicidade é fundamental, pois, uma vez que perpassa todo o pensamento e é reclamado como quase a nova e incomensurável aurora pelo pensamento latino-americano.

Os mitos da civilização e barbárie, hoje representados pelo globalização da economia mundial e pelo sistema injusto da exclusão social, são também, novas polaridades, que atuam como universais ideológicos e também como categorias que ajudam a ler a realidade do sujeito e dos povos latino-americanos. O mito de Caliban se retrata na realidade o Continente latino-americano, de um povo que quer vivenciar sua razão histórica de ser, como povo que tenha a plenitude dos direitos humanos, direitos éticos, como ética emergente de um povo em marcha para a sua plenitude na vocação da liberdade humana.

E podemos concluir que o pensamento está marcado pela clara consciência de sua dimensão histórica, mas esta dimensão histórica, por sua vez, encontra-se sempre dentro de uma dimensão da historicidade concreta. Assim, a história das idéias, apresentada pelos nossos professores homenageados é sempre entendida a partir dos objetos de nossos pensadores, que é a condição humana latino americana, e será conhecida e interpretada como a história da consciência social dos nossos povos.

E é este, na simplicidade de minha compreensão existencial, o grande papel que os pensadores hoje homenageados nos outorgam para nossa práxis humana, como práxis transformadora da sociedade em todas as suas dimensões. Isto é valorizado pela busca da real situação histórica do sujeito como autor e protagonista de sua história.

A categoria da historicidade é fundamental para nossos pensadores homenageados a qual perpassa todo o pensamento e é reclamado como quase uma nova aurora, como a longa e lânguida e perigosa travessia sobre o profundo e traiçoeiro abismo da história pelo pensamento latino-americano.

Antonio Sidekum
UNISINOS - Brasil

 

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Hugo E. Biagini, Compilador. Arturo Ardao y Arturo Andrés Roig. Filósofos de la autenticidad. Jornada en homenaje a Arturo Andrés Roig y Arturo Ardao, patrocinada por el Corredor de las Ideas y celebrada en Buenos Aires, el 15 de junio de 2000. Edición digital de José Luis Gómez-Martínez y autorizada para Proyecto Ensayo Hispánico, Marzo 2001.
© José Luis Gómez-Martínez
Nota: Esta versión electrónica se provee únicamente con fines educativos. Cualquier reproducción destinada a otros fines, deberá obtener los permisos que en cada caso correspondan.

 

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